Operação das amídalas e da adenóide
A retirada ou não das amídalas e da adenóide (conhecida como carne esponjosa) sempre foi motivo de controvérsia na medicina. Essas duas áreas localizadas na parte de trás da garganta e do nariz são partes fundamentais do sistema de defesa do corpo humano nos primeiros anos de vida. São tecidos linfóides que se tornam freqüentemente foco de infecções; e o aumento de tamanho deles pode causar febre, dificuldades na alimentação, distúrbios do sono, deformações da arcada dentária e da face e até mesmo surdez.
Houve um surto entre os pediatras do Brasil de retirada das amídalas e da adenóide que aconteceu até meados dos anos 60. Acreditava-se que a cirurgia era indicada como a retirada de um potencial foco de infecção.
Nos anos 80, a retirada ficou limitada mesmo nas crianças que tinham múltiplas infecções. Ampliou-se o uso dos antibióticos.
A partir dos anos 90, as indicações para a cirurgia passaram a ser precisas, sendo a indicação somente para a retirada da adenóide [e não das amídalas], em casos de otite (inflamação do ouvido) recorrente e/ou obstrução das vias nasais. A hipertrofia das tonsilas também é a grande causadora da chamada síndrome da apnéia obstrutiva do sono. A parada respiratória (ou apnéia) durante a noite causa micro despertares que pode causar danos no cérebro e, por tabela, dificuldades no aprendizado. Médicos da Faculdade de Medicina Johns Hopkins em Baltimore, acompanharam 19 crianças com moderada apnéia obstrutiva do sono , e 14 completaram antes e no pós-operatório uma polissonografia.
Treze dos 14 (93%) crianças tiveram uma completa cura da apnéia. A media do índice do questionário da apnéia pré-operatório era de 7,9 pontos e a media após a cirurgia foi de 0,1 pontos. A média do número de despertares por hora antes da cirurgia foi de 9, 5, e que foi reduzido para uma média de 5,6 após a cirurgi a. Qualidade de vida medidas por outro questionário também melhorou nessas crianças idades de 3 a 12 anos.
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