Anemia falciforme
A anemia falciforme é uma doença hereditária que se apresenta com alteração na estrutura da hemoglobina, a matéria prima dos glóbulos vermelhos do sangue, que fica com o aspecto de uma foice, quando vista no microscópio (daí a origem do nome dessa doença). Esta alteração promove modificações na capacidade do sangue transportar oxigênio pela hemoglobina, para o pulmão, alem de produzir uma anemia na pessoa.
Essa doença foi originaria da África, sendo transportada para o Brasil pelos escravos negros. A doença é hereditária mais freqüente, acomete de 0,1 a 0,3% da população negra do país.
Contudo, devido ao alto grau de miscigenação da nação, tende a atingir parcelas distintas da população. Estima-se, também, o nascimento de 700-1000 novos casos anuais no país, caracterizando, assim, um problema de saúde pública em nosso meio. É uma doença complexa, causando dores (devido a obstrução de artérias), sintomas do padrão da asma ou de hipereatividade de vias aéreas em diferentes faixas-etárias, convulsões e síndrome da apnéia obstrutiva do sono.
Lisliê Arrais de Souza e colaboradores pneumologistas do Hospital Universitário de Brasília reuniram 50 pacientes portadores de anemia falciforme submetidos à polissonografia noturna para estudar a qualidade do sono e os despertares noturnos e espirometria que é a medida da quantidade de ar consumidos pelos pulmões. Dos 50 pacientes 25 (50%) pertenciam ao sexo masculino, idade entre 10 e 18 anos, 40 pacientes (80%) roncaram e 19 (38%) afirmaram haver fumantes no domicílio. Os autores constataram que a dificuldade de dormir e os roncos, ou seja, a qualidade de sono estava alterada nesses pacientes portadores dessa doença , clinicamente estáveis, devido a essa hemoglobina alterada e não às alterações individuais da função pulmonar.
Foi observado que a média do índice de distúrbios respiratórios de 2 ± 3 eventos/ por hora estavam aumentados para a idade, sendo que um paciente apresentou 10 eventos/h. A média do índice de apnéia obstrutiva também estava aumentada, 0,2 ± 0,8 eventos/h, sendo que um paciente apresentou 5 eventos/h. Observou-se que 63% dos pacientes tiveram o ronco registrado na polissonografia. A saturação periférica da hemoglobina em vigília variou de 71 a 97% (média de 87 ± 6%), sendo que a saturação mínima durante o sono variou de 51 a 96% (média de 73 ± 13%.
Enquanto adultos com anemia falciforme apresentam distúrbio ventilatório restritivo, provavelmente resultante de repetido comprometimento pulmonar, causado por episódios vaso-oclusivos pulmonares, a criança pode apresentar resultados conflitantes. Na maioria dos adolescentes apresentando função pulmonar dentro da normalidade foi possível observar aumento do volume residual de oxigênio nos pulmões. Observou-se, também, relação entre ser fumante passivo e esse volume residual. |