Lupus e o sono
Os jornais do mundo todo noticiaram o caso da secretaria brasileira que em Zurich disse que estava grávida e que foi atacada durante a noite por nazistas que escreveram com objetos pontudos frases em seu corpo e que por isso ela abortou. Criou-se uma crise entre Brasil e a Suíça e depois confessou que era uma farsa. Pode ser condenada a 3 anos de prisão depois de julgada por um tribunal. Seu advogado disse que vai alegar na defesa de que ela sofre de lupus e que isso pode ter sido a causa desse distúrbio mental que causa insônia e delírios.
No lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença imunológica que pode ter um quadro clinico muito complexo, pois ataca na forma mais leve a pele causando manchas no rosto, quando a pessoa toma sol. Essa mancha fica de preferência no nariz e do na pele em volta, dando a forma de uma asa de borboleta e deixando a pessoa com o aspecto de lobo, daí o nome lupus em latim significa lobo. No caso das manchas o medico procurado é o dermatologista. No caso da doença mais grave existe um ataque às articulações, com dores e o medico procurado é o reumatologista.
Essa doença geralmente impede a gravidez causando vários abortamentos espontâneos, pois os hormônios femininos têm grande influencia no desenvolvimento da doença, nesse caso, o obstetra-ginecologista que cuida do caso. Com a evolução da doença e de sua gravidade, os rins são afetados sendo que o medico contatado é o especialista de rins-nefrologista. Essa doença ataca as artérias e veias e o próprio sangue dando fenômenos trombóticos e acidente vascular necessitando o apoio do hematologista (especialista em doenças do sangue) ou do próprio reumatologista. Com todos esses agravos do lupus existem distúrbios neurológicos e do sono.
O sono tende a ser superficial, fragmentado, e com baixa eficiência, com muitos despertares podendo ser acompanhado de alterações respiratórias e movimentos periódicos de membros inferiores (síndrome das pernas inquietas). A fadiga constitui um fenômeno presente na manifestação da doença e também a depressão, pois geralmente são mulheres jovens que tem dificuldades de engravidar, precisam trabalhar, sonham com aposentadorias precoces e tem distúrbios emocionais associados.
Juliana Arêas de Souza Lima fez uma tese sobre o assunto Disciplina de Reumatologia da Universidade Federal de S.Paulo comparando 13 mulheres com LES, com idade de 36 a 41 anos e com tempo de doença de 10 a 16 anos com um grupo controle de 13 mulheres sadias pareadas para a idade. Os dois grupos foram submetidos a uma avaliação clínica por meio de um questionário relativo às queixas dolorosas, distúrbios do sono e desordens afetivas. Observou-se que no grupo da s lupicas a quantidade de sono total foi menor, assim como a qualidade do sono, mas a surpresa foi que o número de micro despertares e o índice de mulheres com perna inquieta foi maior do que no grupo controle.
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