Epidemiologia do sono em S.Paulo
Na edição do dia 18 de Fevereiro de 2009 da revista cientifica americana chamada Sleep Medicine saiu publicado em inglês um artigo sobre o título acima, realizado por R Santos Silva e a equipe multidisciplinar da Disciplina de Medicina e Biologia do Sono do Departamento de Psicobiologia, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Epidemiologia é a ciência da saúde coletiva ( diferente de saude individual, se interessa pela saude das populações) que estuda a relação de causa-efeito, ou causa-doença. Para este fim existem diversos tipos de estudos de uma população, cada estudo é indicado para um tipo de hipótese levantada pelo pesquisador. As hipóteses podem ser, entre outras, relação entre exposição ao fator de risco da doença ou também a eficácia de determinado medicamento para uma determinada doença.
Estudos populacionais são muito caros e dificeis de realizar, nos Estados Unidos, por exemplo, existem órgãos governamentais que fazem inumeros desses estudos. No Brasil, em virtude dos escassos recursos da saude esses estudos são raros.
Esse artigo apresenta a concepção racional, a amostragem, e os procedimentos utilizados na pesquisa realizada em 2007 para estabelecer o perfil epidemiológico dos distúrbios do sono na população adulta de uma grande metrópole, como São Paulo.
O estudo, de base populacional, sobre o sono adotou um a teoria probabilística, ou seja, de uma grande população, foi retirada uma amostra do perfil que se quis estudar da população da cidade de São Paulo, com dados do IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Foi utilizada para representar a população, uma amostra de 1.101 pessoas de acordo com sexo, idade (20-80 anos), e classe socioeconômica. Foram realizadas entrevistas com essas pessoas, que responderam questionários, fizeram exames de actigrafia e/ou polissonografia (PSG), e foram colhidas amostras de sangue para investigar associações entre os padrões de sono e os distúrbios de acordo com o status sócio-demográficas, ciclo diário de atividade (trabalho) / repouso, hábitos de atividade física, distúrbios do humor, queixas de memória, disfunção sexual no sexo masculino, uso de drogas, toxicodependência, marcadores genéticos e antropométricos, clínicos, bioquímicos, hematológicos, endócrinos, imunológicos, inflamatórios e outros indicadores, em geral.
Os resultados de um total de 1.101 entrevistas realizadas no domicilio da pessoa apontam um total de 156 voluntários substituído, que eram equivalentes à amostra restante em termos de idade, gênero e classe socioeconômica. Um total de 1.042 voluntários foi submetido a um exame de polissonografia no Instituto do Sono, mas a taxa de recusa foi de 5,4%.
Vale ressaltar que o estudo foi iniciado em 2007 e demorou 2 anos para a conclusão desse primeiro relato das dificuldades de montar a amostra. São Paulo é uma das primeiras cidades do mundo a realizar esse estudo pioneiro, incorporando e integrando dados de metodologias estatísticas para a compreensão de perfis e distúrbios do sono em grandes populações. Este estudo irá fornecer informações confiáveis para o planejamento das políticas de saúde e programas destinados a controlar essas doenças e suas conseqüências na cidade de São Paulo e ambientes urbanos similares.
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