Tratamento psicológico da insônia
Nesse espaço das Dicas de sono do colchão Ônix já foram tratados inúmeras vezes temas que remetem a problemas emocionais e distúrbios do sono, sendo o mais freqüente a insônia. A psicóloga Dra. Cora da cidade de Fortaleza pergunta, através do e-mail (knoplich@uol.com.br), se existe um tratamento psicológico especifico da insônia, que uma de suas clientes gostaria de fazer. Além disso, a Dra. Cora informa que essa paciente se considera viciada em medicamentos hipnóticos.
Esses medicamentos são derivados de barbituricos e induz o sono profundo rapidamente, por isso são ate usados como pré-anestésicos. Por serem tão rápidos e práticos as pessoas vão adiando o abandono dessas “muletas” que sem perceberem, passam a ficar dependentes dessa droga.
Na realidade temos dois problemas com essa indagação. Essa paciente é uma “viciada” em barbituricos, como poderia ser viciada em álcool, cocaína, cigarro ou em jogo. Por acaso é uma droga que ajuda a dormir, fugindo de seus problemas psicológicos. O problema numero 1 não esta relacionado ao sono e sim ao vicio, que para ajudar a paciente a largar será tão complexo como cuidar de qualquer viciado. O segundo problema é definir qual seria o tratamento psicológico para ajudar essa paciente a resolver o seu problema de insônia. Na literatura medica o tratamento psicológico para insônia é chamado de terapia cognitiva comportamental, que na realidade é uma técnica comportamental e não de psicologia do tipo freudiana ou psicanalítica. Ou seja, não se procuram as raízes no consciente profundo da paciente porque ela não dorme, mas procura modificar o comportamento dela em relação ao horário do seu sono.
Esse é um resumo de um trabalho cientifico que foi feito na Inglaterra com 209 pacientes (idade entre 31-92 anos) com problemas crônicos do sono que tinham recebido prescrições de medicamentos simples para induzir o sono (não barbituricos) numa média de 13,4 anos. Os pacientes foram recrutados para o ensaio de vários locais. O total de 209 pacientes foi dividido em dois grupos. No grupo A, a intervenção consistiu em seis sessões individuais, de 50 minutos, da seguinte forma: discussão da avaliação do sono de cada participante; quantas horas tinham de sono, qual a quantidade de esportes e exercício físico que fazia por dia, quanto café, chá, cigarros consumiam, que tipo de comida ingeriam antes de dormir, se assistiam TV com noticiários, filmes, ouviam musica etc. etc. Depois, foram discutidas noções básicas de higiene do sono, temperatura do quarto, barulhos, luz etc. Foi ensinada uma técnica de relaxamento progressivo. No grupo B foram aplicadas as mesmas seis sessões de 50 minutos, porém, para explicar porque dormir bem é importante, ou seja, noções sobre fisiologia do sono e deixando as pessoas fazerem perguntas sem uma orientação de tratamento e sem relaxamento.
Depois de 6 meses e depois de 1 ano foi aplicado nesses dois grupos o teste Índice de Qualidade de Sono Pittsburgh (PSQI).
Os autores verificaram que no grupo A houve uma quantidade maior de pessoas que passaram a dormir melhor com uma quantidade e qualidade de sono razoável se comparado ao grupo B.
Os autores também identificaram pelo teste Anxiety and Depression Scale que essas pessoas tinham ansiedade e depressão e que esses detalhes do comportamento psicológico, quando tratados, ajudavam a melhorar o sono do que receitar barbituricos.
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