Cuidados no idoso
Um fato relevante é que a população idosa está crescendo e os filhos desses idosos têm obrigações com suas próprias famílias e devem trabalhar para sustentá-las. Assim, a figura de um filho ou filha que cuida dos pais idosos está diminuindo em todo o mundo ocidental.
Mas o problema permanece quando os idosos precisam de “cuidadores”, que na realidade são pessoas que fazem cuidados caseiros, chamados no Brasil pela expressão inglesa de home care.Como não existe uma doença especifica para cuidar, os “cuidadores” são geralmente pessoas simples que recebem para ajudar a dar a medicação, levantar da cama, fazer a higiene pessoal e até mesmo conversar com o idoso.
Na maioria das vezes, os “cuidadores” trabalham dia e noite. No Japão foi realizada uma pesquisa interessante com essas pessoas que se presume serem suscetíveis a ter vários problemas de saúde. No entanto, os indicadores de saúde destes “cuidadores” raramente são pesquisados. Uma equipe de médicos de uma cidade japonesa resolveu analisar o efeito da qualidade do sono, medido pelas horas de sono e o número de vezes que esses “cuidadores” deitam na cama por dia para tirar pequenos cochilos para aliviar a sonolência e o cansaço. Os autores tiveram dificuldades de aplicar questionários sobre a qualidade do sono, então elegeram como parâmetro a pressão arterial de “cuidadores” idosos. O controle da pressão arterial foi feito de 30-60-minutos de intervalo de um período de 24 horas através de um holter. Um outro aparelho actigrafo (veja esse tema em artigos anteriores) amarrado no pulso permitia determinar o estado de sono / vigília. Entrevistas pessoais e questionários auto-administrados serviram para obter informações demográficas e para recolher informações sobre as atividades em um período de 24 horas.
A idade média dos “cuidadores” era de 62,5 + / -9,6 anos, e a média de horas de sono foi 7,3 horas. Dos 78 “cuidadores”, 19 tomavam medicação anti-hipertensiva. Dos 59 restantes, o presente estudo descobriu 45,8% de hipertensos, com a média máxima de pressão sistólica superior a 180 mmHg. As horas de sono durante a noite e para o período de 24 h foram inversamente associadas com a média da pressão arterial sistólica. A maioria dos “cuidadores” que já tomava medicamentos anti-hipertensivos também tiveram a pressão arterial elevada em períodos de tensão no trabalho no cuidado com idosos.
Os autores chamam atenção para o fato que “cuidadores” hipertensos e com dificuldade de dormir podem sofrer agravos cardiovasculares sem terem alguém que possa socorrê-los.
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