Dia das mães

O calendário traz o segundo domingo de Maio, como consagrado das mães com evidente retribuição ao carinho com que as progenitoras dedicaram aos filhos durante a vida não somente no aspecto afetivo e educacional, mas durante as enfermidades.

Muitas crianças têm dificuldade para desfrutar de uma noite de sono completa e restauradora, o que acaba preocupando os pais. Porém, é importante saber que alguns distúrbios são normais no período de maturação do sono e passam naturalmente com o tempo.

A criança que brinca, corre, pula, freqüenta a escolinha e tem uma rotina agitada, própria dos pequenos, geralmente, no fim do dia, após o banho e a alimentação adequada, dorme como um “anjo, calmo e tranqüilo”. Mas esse quadro não se aplica a 100% das crianças. Algumas costumam acordar assustadas no meio da noite, demoram a pegar no sono ou têm algum outro tipo de distúrbio que impede que a noite transcorra em paz.

Até os quatro anos a criança ainda está na fase de maturação do sono e qualquer anormalidade ou inconstância pode ser considerada normal. A partir dos quatro anos, alguns outros aspectos precisam ser avaliados caso o sono da criança não comece a se normalizar. O primeiro é no que diz respeito à parte orgânica. A criança pode ter alguma obstrução, como aumento das adenóides ou rinite alérgica, que atrapalha o sono causando obstrução das vias aéreas superiores. Se o problema não for físico, o próximo passo é avaliar a vida emocional e a rotina da criança. Quando a família passa por algum problema ou alteração da rotina, como separação, desavenças permanentes ou até a chegada de um irmãozinho, a criança pode ter fantasias, pesadelos, já que estes períodos de ansiedade costumam refletir durante o sono. O convívio com pais muito agitados ou ansiosos também pode influenciar na qualidade do sono infantil.

Entre os distúrbios, que são conseqüências dessa imaturidade do sono, um dos que costuma assustar os pais é o “terror noturno”, no qual a criança acorda em pânico, confusa e, geralmente, aos prantos. O “terror noturno” costuma acontecer sempre no mesmo horário, após o mesmo intervalo de tempo entre pegar no sono e despertar em pânico. Em 15% das crianças entre quatro e sete anos podem desenvolver esse distúrbio, que tende a diminuir com o tempo. Uma dica para os pais controlarem o “terror noturno” é acordar a criança alguns minutos antes dos sintomas. Como o evento costuma acontecer sempre no mesmo período da noite, os pais podem acordar as crianças alguns minutos antes e depois deixar que elas durmam normalmente. Vale destacar que não é necessário acostumar a criança a dormir com os pais.  Após uma semana realizando esta rotina os eventos de “terror noturno” costumam desaparecer.

Outro problema que pode atrapalhar o sono infantil é o sonambulismo, que atinge 3% da população entre 3 e 19 anos, sendo que 50% dessas crianças falam e andam pela casa. O problema se agrava se a criança consegue abrir portas e sair de casa, por isso o ambiente deve ser o mais seguro possível, tirando chaves das portas e fechando bem as janelas. Deve-se levar a criança para a cama sem despertá-la, já que ela vai acordar desorientada e agitada.

A enurese noturna, urinar na cama, também é outro distúrbio que acomete muitas crianças. A maioria dos casos acontece porque a mãe tira a fralda do bebê muito cedo, em geral o "desfraldamento" começa entre um ano e um ano e meio, mas nem todas as crianças estão prontas para fazê-lo, isto é, não têm controle sobre a vontade de urinar. A mãe deve considerar o momento de tirar a fralda quando o pequeno já sabe avisar que precisa ir ao banheiro. O treino para ensinar a criança a freqüentar o vaso sanitário também precisa ser constante, para não confundi-la. A mãe que deixa o filho sem fralda durante o dia e deixa que ele a use quando sai para um passeio, acaba confundindo a cabeça da criança, que não sabe quando deve ou não fazer o xixi. Para tirar a fralda noturna é importante observar, após o "desfraldamento" diurno, o momento em que a fralda amanhece seca. Até os oito anos, no decorrer de um ano, 20% das crianças passam por esse problema e, acima dessa idade, 5% das crianças ainda podem desenvolver esse distúrbio.

Se o problema persistir a mãe deve considerar a possibilidade de problemas de má-formação urogenital ou até problemas neurológicos e deve consultar um médico.

 
PROFESSOR DR. JOSÉ KNOPLICH
Reumatologista, Doutor em Saúde Pública
pela Universidade de São Paulo, autor de vários livros,
dentre os quais o "Viva Bem com a Coluna que Você Tem", na 31ª edição com 190 mil livros vendidos.
http://knoplich.sites.uol.com.br
 
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