Vida primitiva
C.A. Peixoto e colaboradores do Departamento de Fisiologia, da Universidade Federal do Paraná, realizaram um estudo com uma comunidade muito pobre comparando a ritmicidade circadiana de um grupo de 37 adolescentes (14 meninas), com idades entre 11 a 16 (média de idade = 13,1 + / - 1,7 anos), que viviam em casas com e sem eletricidade. Vinte estudantes freqüentaram escola no período da manhã (07h30min-11h30min), e 17 freqüentaram a escola no período da noite (19h00min-22h30min). Onze adolescentes não tinham iluminação elétrica em casa (5 assistiram aulas manhã e 6 assistiram aulas noturnas). Todos fizeram um diário do sono dia a dia, e fizeram um actigrama do punho durante 5 dias consecutivos. Foram coletadas amostras de saliva para avaliar DLMO (Exame que compara a s ecreção de melatonina relacionada à presença de luz). Os dados foram comparados por métodos estatísticos e os autores constataram que quem tem aulas noturnas acordam mais tarde e dormem mais . Os adolescentes que vivem em casas sem eletricidade tinham significativamente sono menor e acordavam mais cedo em dias letivos. Quanto ao DLMO, mostrou uma tendência a ter um atraso no grupo que tinha iluminação elétrica.
Os evolucionistas, cientistas que estudam nos animais as teorias de Darwin para aplicá-las na espécie humana, afirmam que a evolução da espécie animal foi feita por grande expansão das necessidades do processamento neural apoiando as atividades motoras e sensoriais, e que institui e armazena as memórias em longo prazo. Uma vez que estas categorias de processamento neural ocorrem em grande parte por sobreposição de regiões cerebrais, o funcionamento cerebral teria se tornado cada vez mais evoluído, quanto mais complexa a vida foi se tornando sendo acompanhada por adaptações potencialmente conflitantes do cérebro. Estas adaptações foram as seguintes: em primeiro lugar, acordar descansado, em segundo lugar, um tipo de sono primitivo, sem sonhos e memórias e, finalmente, um tipo de sono totalmente desenvolvido, com a sua especialização REM, movimento rápido do olho e NoREM . Essa fase contribui para a manutenção da grande eficiência da função cerebral. Os únicos animais com visão detalhada e focada que podem atingir função cerebral altamente eficiente sem dormir, são aquelas espécies em que se exige uma memória de transformação muito reduzida, em conseqüência da rotina, monótona, quase puramente reflexiva de seu estilo de vida, com poucas necessidades de aquisição de experiência com memórias de longo prazo . Os mais conhecidos animais que não dormem nesta categoria são atuns e muitos tubarões. |