Amor

É comum que o comportamento emocional de uma pessoa se reflita no sono, ou seja, o deprimido, raivoso e o triste etc dormem  de formas diferentes. Uma extensa literatura medica indica que o sono  se apóia igualmente em importantes operações de processos cognitivos de memória e vivencias emocionais cerebrais, já adquiridas. Existem evidências para o papel do sono na memória associativa de transformação, ou seja, o aprendizado de um conhecimento em longo prazo será através do sono transformado em uma memória.

O que ocorre em relação ao sono  quando uma pessoa se apaixona?

Um ditado popular afirma  que “o amor é cego”, teoria que vem sendo comprovada cada vez mais pela ciência.

O neurologista André Palmini em recente Congresso afirmou que estudos com imagens mostram que os mecanismos cerebrais que permitem ter uma visão crítica sobre as atitudes dos outros são desativados no apaixonado  em relação à pessoa amada. É a explicação da ciência para a cegueira da paixão, assim  paixão e amor influenciam de forma diferente no cérebro.

Pesquisas demonstram ainda que o cérebro age de forma diferente na paixão e no amor.  No auge da paixão, os mecanismos de defesa quase não são ativados, mas esta situação vai mudando com o passar do tempo. Com a consolidação do sentimento, o cérebro começa a reagir ao ver a pessoa amada de forma parecida como age com outras pessoas. 

Segundo o neurologista, o amor também é um dos responsáveis pela evolução e preservação da espécie. No cérebro há um sistema de recompensa, que é o que faz a pessoa buscar alimentos, água e a sobrevivência em geral. Pesquisas demonstraram que o amor também ativa de forma intensa este sistema, proporcionando prazer e bem-estar. Na busca de bem-estar,  se ama, se reproduz e há  evolução e perpetuação  da espécie

Na adolescência, o aparecimento do amor é um importante requisito para a aquisição de competências psicossociais e psicossexuais. Psicólogos suecos analisaram esse impacto do início de intenso amor romântico no sono e  nas atividades diárias e auto-estima. A primeira fase de um intenso amor romântico envolve dimensões fisiológicas, cognitivas, emocionais e comportamentais devido ao aumento da excitação, persistentes pensamentos para a pessoa amada, o sentimento de grande alegria, e os esforços para  ficar na proximidade da pessoa  amada são proeminentes características dos adolescentes em situação de intenso amor romântico. Cento e sete adolescentes (idade média: 17,98 anos + / - 1,33) participaram no estudo e 60 deles tinham  recentemente  se apaixonado e experimentado intenso amor romântico, 47 já  tinham um relacionamento mais antigo. Após entrevista de triagem para transtornos psiquiátricos, os participantes completaram questionários relacionados com o sono e hábitos da hipomania. A hipomania é um estado semelhante à mania, porém mais leve. Em geral, é breve, durando menos de uma semana. Há mudança no humor habitual do paciente para euforia ou irritabilidade, reconhecida por outros, além de hiperatividade, tagarelice, diminuição da necessidade de sono, aumento da sociabilidade, atividade física, iniciativa, atividades prazerosas, libido e sexo, e impaciência. O prejuízo ao paciente não é tão intenso quanto o da mania. A hipomania não se apresenta com sintomas psicóticos, nem requer hospitalização Além disso, eles completaram um diário sobre a qualidade do sono durante sete noites consecutivas. Comparados aos controles, os adolescentes no início da fase de intenso amor romântico tiveram maior pontuação em uma escala de hipomania, e aumentou os registros de humor positivo, no período da manhã e à noite. Esses adolescentes também registraram menos horas de sono com o aumento da qualidade subjetiva do sono, baixou a sonolência diurna, aumentou a concentração mental durante o dia.

Os autores desse artigo dizem que os jovens apaixonados têm comportamentos bizarros  que devem ser levados em conta em todas as queixas de saúde sempre atentando a possíveis quadros de hipomania  e de privação de sono


 
PROFESSOR DR. JOSÉ KNOPLICH
Reumatologista, Doutor em Saúde Pública
pela Universidade de São Paulo, autor de vários livros,
dentre os quais o "Viva Bem com a Coluna que Você Tem", na 31ª edição com 190 mil livros vendidos.
http://knoplich.sites.uol.com.br
 
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