Doença cardíaca

Existe uma grande quantidade de estudos científicos e de formulas matemáticas que podem prever a possível incidência de doenças cardíacas baseadas nas dosagens de vários fatores bioquímicos existentes no sangue, associados à inflamação. Por exemplo, a Interleukina-6 (abreviado para IL-6), surge no sangue em varias doenças reumáticas e inflamatórias e é um desses marcadores. Outro tipo de bio-marcador que tem relação com a inflamação e que pode prever a doença cardiovascular principalmente  a angina e ou o infarto é a proteína C reativa, abreviada para PCR.

O estudo inicial chamado de Whitehall (designação genérica que poderia ser “governo”) investigou determinantes sociais da saúde, prevalência especificamente da doença cardiorrespiratória e as taxas de mortalidade entre os funcionários públicos britânicos do sexo masculino com idades compreendidas entre os 20 e 64. O estudo inicial, o Whitehall Study I, foi realizado durante um período de dez anos, começando em 1967. Uma segunda fase, a Whitehall II Study, analisou a saúde dos 10.308 funcionários públicos com idade entre 35 a 55, dos quais dois terços eram homens e uma terceira parte formada de mulheres. Em longo prazo de acompanhamento do estudo, indivíduos a partir das duas primeiras fases, em curso Whitehall, onde os estudos encontraram uma forte associação entre níveis de grau do emprego do funcionário e taxas de mortalidade a partir de um leque de causas. Homens no menor grau de emprego (mensageiros, porteiros, etc) tiveram uma taxa de mortalidade três vezes superior comparado aos homens no mais alto grau de responsabilidades (administradores).

A professora Michelle Miller, da Universidade de Warwick com especialistas da University College London analisaram numa amostragem de 4,6 mil participantes entre 35 e 55 anos, aos quais foi pedida sua participação nos anos de 1985 a 1988, e que foram acompanhadas até 1991 e 1993. Constataram que as mulheres que dormem menos do que oito horas recomendadas têm mais possibilidades de ter problemas cardíacos do que os homens com esses mesmos hábitos de sono.

Os pesquisadores descobriram que os marcadores bio-cardíacos que indicam possíveis doenças cardíacas variavam consideravelmente com as horas que as mulheres dormiam.

Segundo a análise, os especialistas descobriram que os níveis de Interleukina-6 (IL-6), um desses marcadores, eram muito mais baixos em mulheres que dormiam oito horas, portanto menos chances de ter doença cardíaca em comparação com as que dormiam sete.

Outro marcador, o PCR, que pode prever a morbidade cardiovascular, era consideravelmente mais alto em mulheres que diziam dormir cinco horas ou menos.

 Portanto, a  idéia de que o hábito de dormir pouco está associado a um aumento do risco cardiovascular e que a associação entre a duração do sono e os fatores cardiovasculares são diferentes em homens e mulheres, pode mesmo fazer sentido.


 
PROFESSOR DR. JOSÉ KNOPLICH
Reumatologista, Doutor em Saúde Pública
pela Universidade de São Paulo, autor de vários livros,
dentre os quais o "Viva Bem com a Coluna que Você Tem", na 31ª edição com 190 mil livros vendidos.
http://knoplich.sites.uol.com.br
 
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