Mioclonia neonatal benigna

A fisioterapeuta Aline de Barueri no Estado de S.Paulo, leitora assídua dessas Dicas do Sono escreveu para o e-mail (knoplich@uol.com.br) muito assustada solicitando uma explicação sobre umas alterações  no sono de seu filho que tem  poucas semanas de idade. O medico diagnosticou mioclonia neonatal benigna do sono. Ela ficou tranqüila porque existia a designação benigna.

Realmente assustam os pais, pois a criança recém nascida tem

movimentos parciais do corpo que repuxam os pés e as mãos como se estivessem se espreguiçando( são movimentos  clônicos)  mas também podem ser movimentos  tônicos( como se  estivessem tremendo os pés, pernas, mãos e braços). Mas tudo isso é relativamente freqüente nessa idade, mas o que assusta é o desvio tónico( demorado) dos olhos para cima ou para o lado.

A primeira providencia que o pediatra toma é fazer um exame eletroencefalograma (EEG), ou um exame chamado SPECT que é  uma tomografía computadorizada de emissão de fótons já existente na maioria das grandes cidades do Brasil.

O que a criança teve foi uma espécie de convulsão ( chamada de mioclonus)  que é diferente da convulsão epiléptica,porque  às vezes vem associada a alterações respiratórias  alem de alterar o ritmo do estado sono-vigília do bebe. A principal diferença é vista nas ondas cerebrais do eletroencefalograma, que são bem diferentes.

Essas alterações do corpo da criança são difíceis de serem descritas pelos pais, por isso  muitos deles filmam com o celular o que ocorre. Existem pais que a mãe filma com o seu celular de um ângulo e o pai com um celular de outro ângulo. Num trabalho cientifico realizado por médicos americanos relatam 18 casos em que a mioclonia neonatal benigna do sono teve esse mioclonus durante o sono. Mas em dois deles esse mioclonus foi observado também durante a transição do sono para despertar. Em todos os casos o eletroencefalograma fez o diagnostico diferencial com epilepsia. Em todos os casos, o início estava dentro da idade de dias a poucas semanas do nascimento. As características comportamentais do mioclonus eram mais variadas do que anteriormente descritas: quatro dos lactentes tinham mioclonus lateralizadas e dois tiveram mioclonus envolvendo a cabeça e rosto. Na maior parte das crianças, a duração da mioclonia foi breve, mas nos dois casos, a manifestação paroxística durou mais de 30 minutos. Nenhuma das crianças apresentava anormalidades eletroencefalográficas durante a mioclonia. A condição foi de curta duração, com o mioclonia resolvendo na maioria das  crianças dentro de 3 meses do início. Mioclonia neonatal benigna do sono são sub-reconhecidos, por pediatras e na população em geral. Como é um  estado que tenha um desfecho favorável , deve se chamar a atenção de pais que esses bebés não devem ser tratado com drogas antiepilépticas.

A mioclonia neonatal benigna do sono caracteriza-se pela presença de abalos repetidos, rítmicos ou arrítmicos, das extremidades que ocorrem durante o sono e desaparecem ao despertar. Os abalos podem ser focais, multifocais, ou migratórios. Os músculos da face não estão envolvidos. Os episódios podem ser desencadeados ao balançar o recém-nascido. A mioclonia neonatal benigna do sono ocorre em recém-nascidos a termo, cujo exame neurológico é normal. Estes eventos tendem a desaparecer na maioria dos casos ao redor dos 8 meses de idade e não requerem tratamento. O desenvolvimento neuropsicomotor é normal.



 
PROFESSOR DR. JOSÉ KNOPLICH
Reumatologista, Doutor em Saúde Pública
pela Universidade de São Paulo, autor de vários livros,
dentre os quais o "Viva Bem com a Coluna que Você Tem", na 31ª edição com 190 mil livros vendidos.
http://knoplich.sites.uol.com.br
 
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