Narcolepsia
A Sra. Maria Luiza, professora na cidade de S.Luiz no Maranhão questiona através do e-mail knoplich@uol.com.br uma explicação para o fato de ter tido um súbito ataque de sonolência no meio da aula na qual estava lecionando. Acabou sendo levada ao Pronto Socorro tamanha a dificuldade que teve para recuperar o seu estado normal e voltar a falar naquele dia. Confundiram essa sonolência com um principio de derrame vascular cerebral ou AVC. Depois de inúmeras idas aos médicos foi-lhe dito que se trata de um distúrbio do sono chamado de narcolepsia.
Esse tema já foi tratado aqui nessas Dicas do Sono do colchão Ônix, mas agora é possível exemplificar um caso concreto através do relato da leitora.
Pode-se dizer que a professora teve um ataque de narcolepsia leve, pois continuou de pé ou pelo menos, não foi obrigada a deitar no chão. Esse episódio de sonolência em geral dura de 1 a 2 minutos, mas poderia durar até uma hora, se não fosse interrompido. Algumas pessoas que têm esses episódios de narcolepsia, já sabem disso, mesmo sem conhecerem a denominação e procuram fazer cochilos intencionais, com o fim de manejarem essa sonolência. Parece que leitora não sabia que tinha esse distúrbio do sono, como acontece com a grande maioria das pessoas. Pessoas com narcolepsia não-tratada tipicamente têm de 2 a 6 episódios de sono (intencionais e involuntários) por dia. Os episódios de sono em geral se sobrepõem a um grau mais normal de alerta, embora alguns indivíduos descrevam algum grau de sonolência constante. Esse episódio mais grave chama-se cataplexia e freqüentemente se desenvolve após o início da sonolência diurna e ocorre em aproximadamente 7% dos indivíduos com esse transtorno. A perda do tônus muscular com a cataplexia pode ser sutil, levando a uma "queda" da mandíbula ou ao fechamento das pálpebras, perda do controle sobre os movimentos da cabeça ou dos braços, imperceptíveis ao observador.
Este distúrbio do sono, narcolepsia, passa despercebido por muitas pessoas porque seus sintomas são freqüentemente confundidos com características comuns de certos indivíduos. Sua principal conseqüência é a sonolência diurna excessiva. Por isso, muitas pessoas passam a vida inteira sem saber que são portadoras do distúrbio e acabam sendo apelidadas de “dorminhocas”, “limitadas” ou “preguiçosas” pela falta de informação ou de compreensão dos familiares e amigos. O indivíduo pode apresentar dificuldades na escola, no trabalho e até mesmo em casa, pela falta de concentração. E mais: eles não sabem que correm risco de vida na realização de atividades como dirigir, operar máquinas perigosas ou em outras ações que exigem concentração.
Como a narcolepsia é crônica; o tratamento deve prolongar-se por toda a vida e é realizado com medicamentos denominados estimulantes. As características essenciais da Narcolepsia são ataques repetidos e irresistíveis de sono reparador, cataplexia (súbita perda do tônus muscular) e distúrbios recorrentes de elementos do sono REM (estágio do sono de rápida movimentação dos olhos) no período de transição entre o sono e a completa vigília. A sonolência do indivíduo tipicamente diminui após um ataque de sono, retornando algumas horas depois. Os episódios de sonolência na narcolepsia são freqüentemente descritos como irresistíveis, provocando um sono involuntário em situações impróprias (por ex., ao dirigir um automóvel, durante reuniões ou conversas).
As situações de atividades reduzidas tipicamente agravam o grau de sonolência (por ex., adormecer enquanto lê, assiste à televisão ou nas palestras).
Recomendaria a professora verificar se não tem apnéia do sono que seria uma outra explicação para a sua sonolência diurna.
|