Depressão maior

Esse é o tipo mais grave de depressão com um quadro clinico com a maior quantidade de sintomas depressivos, e inclusive distúrbios do sono: insônia ou sono em excesso. Pode ser resultante de um evento traumático único na vida (viuvez, morte de um filho, descoberta de um câncer etc) ou pode se desenvolver mais lentamente ao longo dos anos, em conseqüência a várias decepções pessoais e ao enfrentamento de vários problemas emocionais associados. No entanto, alguns pacientes desenvolvem o transtorno depressivo maior, sem nenhum fator estressante identificável. Outros apresentam uma depressão crônica mais leve e, ao vivenciarem um trauma, desencadeiam uma depressão mais grave.

A depressão maior pode ocorrer uma única vez na vida, responder ao tratamento adequado e nunca mais voltar. Alguns pacientes, no entanto, tendem a apresentar episódios recorrentes, intercalados com períodos de tempo variável, no qual se encontram totalmente livres de sintomas. Geralmente, as recorrências estão associadas a novos eventos traumáticos. Essa seria a depressão recorrente. O tratamento desses dois subtipos é semelhante, porém na depressão recorrente a duração da terapia costuma ser maior.

As pessoas comuns, no mundo moderno relutam em aceitar o diagnóstico de uma depressão. Mesmo entre os especialistas da área de saúde, existem dúvidas quanto à "depressão endógena", ou seja, a depressão que se desenvolve sem nenhuma causa psicológica identificável, pelo paciente. Seria uma depressão de causa biológica, devida presumivelmente a causas genéticas ou a distúrbios, ainda não identificáveis pela Medicina ou a Ciência no funcionamento dos neurotransmissores cerebrais (substâncias que fazem a comunicação entre os neurônios). No entanto, todos os tipos de depressão envolvem alterações na bioquímica cerebral, mesmo quando existe um trauma identificável. Deve-se lembrar que se a medicina não tem uma explicação adequada para um sintoma clinico, não quer dizer que ele não existe.

Atualmente, não há apoio científico suficiente para a depressão endógena. Às vezes, emprega-se esse termo para definir os casos que não respondem bem ao tratamento, sendo muitas vezes recomendado apenas o tratamento medicamentoso, sem psicoterapia. De uma maneira geral, os pacientes com depressão respondem melhor ao tratamento com medicação quando são tratados também com psicoterapia, especialmente a chamada terapia cognitivo-comportamental. Os medicamentos tratam os sintomas de depressão, sendo parte importante do programa de tratamento, porém é necessário também tratar os problemas psicológicos que levaram à depressão. As pessoas têm medo de tomar antidepressivo, pois temem o vício e sintomas que cada vez mais afundam a qualidade de vida. Porém, se não tomam antidepressivos, não dormem bem, ficam mais depressivos, com o humor persistentemente deprimido, triste, angustiado ou sentimento de vazio; sentimentos de invalidez, desamparo ou culpa excessiva; perda de interesse e prazer pelas atividades normais; redução da energia e fadiga crônica; sentimentos pessimistas e falta de esperança quanto ao futuro; perda de memória, dificuldade para tomar decisões e se concentrar; irritabilidade, inquietação; perda de apetite e do interesse pela comida, ou aumento exagerado do apetite associado a ganho de peso; distúrbios do sono: insônia ou sono em excesso; pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida.

Vale a pena usar a medicação antidepressiva para dormir melhor e romper esse ciclo vicioso.



 
PROFESSOR DR. JOSÉ KNOPLICH
Reumatologista, Doutor em Saúde Pública
pela Universidade de São Paulo, autor de vários livros,
dentre os quais o "Viva Bem com a Coluna que Você Tem", na 31ª edição com 190 mil livros vendidos.
http://knoplich.sites.uol.com.br
 
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