Neuro imagem
Já é conhecido que pacientes traumatizados por assaltos, acidentes ou violência sexual, têm dificuldade de dormir e a maioria dos médicos receitam antidepressivos ou medicamentos hipnóticos. Mas, vários trabalhos científicos mostram que pacientes foram submetidos à psicoterapia de exposição e reestruturação cognitiva no tratamento do transtorno do estresse pós-traumático (essa técnica psicológica chama-se TEPT) conseguiram superar o evento traumático ao elaborarem um novo significado para a experiência. O mesmo não aconteceu com o grupo controle, que não fez esse tipo de terapia. A comprovação ocorreu por meio da análise de imagens de determinadas áreas cerebrais dos dois grupos.
De acordo com o estudo, as pessoas submetidas ao tratamento apresentaram um aumento da atividade das seguintes regiões do cérebro: córtex pré-frontal, hipocampo esquerdo e lobos parietais, além de um decréscimo da atividade da região do cérebro chamada amídala, que controla o medo.
Os que fizeram psicoterapia conseguiram rotular e sintetizar mais positivamente o evento e passaram a ter uma melhor orientação temporal e espacial da experiência, ou seja, o trauma passou a ser um acontecimento pertencente ao passado.
Durante dois meses, uma vez por semana, o grupo de 16 pacientes fez a terapia de exposição e reestruturação cognitiva, totalizando oito sessões. Antes da primeira sessão, eles leram em voz alta um roteiro personalizado para evocação da situação traumática vivida. Em seguida, receberam a injeção de um radiofármaco, ou seja, um contraste radiológico (marcador da atividade cerebral) e foram encaminhados para fazer um exame chamado SPECT (tomografia por emissão de fóton único em inglês), que permite identificar os circuitos cerebrais ativados e desativados durante determinada tarefa. Depois da oitava sessão, esse mesmo exame foi repetido.
Os resultados foram comparados aos do grupo controle, composto por 11 pacientes com o mesmo diagnóstico em lista de espera para psicoterapia, mas que fizeram apenas os exames de tomografia, em um intervalado de 60 dias.
Esse é um transtorno limitante, que afeta a qualidade de vida, os relacionamentos pessoais e profissionais e atinge cerca de 9% a 10% da população. Os resultados do estudo do psicólogo Júlio Peres, doutorando do programa de Neurociências e Comportamento do Instituto de Psicologia da USP confirmam que processos psicológicos de aprendizado podem ocasionar novos arranjos nas sinapses cerebrais relativos à remissão dos sintomas.
De acordo com o pesquisador, até poucos anos não existiam métodos que permitissem avaliar os marcadores biológicos dos efeitos da psicoterapia. E que, mesmo na área da saúde, ela não era tão creditada por trabalhar com a subjetividade das pessoas. Isso mudou, pois as Neurociências têm mostrado em estudos recentes com neuroimagem em que as psicoterapias aplicadas apresentam o potencial de modificar circuitos neurais disfuncionais associados aos transtornos que devem ser tratados.
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