Envelhecimento
Já vimos nessas Dicas de Sono do colchão Ônix que existem conexões entre os problemas relacionados ao sono com mudanças de apetite, que causam alterações metabólicas que podem resultar na obesidade. Também já é um fato conhecido por nossos leitores, que a obesidade instalada traz inúmeras alterações metabólicas e inclusive o risco de surgir a diabetes.
Teriam os distúrbios do sono, principalmente a insônia, condições de causar uma piora da diabetes? Essa é a questão levantada por Vicente um executivo da cidade de S.Paulo, numa pergunta feita pelo e-mail (knoplich@uol.com.br) que associo com uma outra indagação feita por um outro leitor da cidade de Avaré em S.Paulo, se a má qualidade do sono, pode estar associada ao envelhecimento precoce.
Eve Cauter e vários pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Chicago fizeram o seguinte experimento: reuniram 9 pessoas saudáveis e magras, com idades entre 20 e 31 anos, que passaram cinco noites num laboratório que estuda o sono. Elas foram dormir às 23 horas e acordaram às 7h30.
Os pacientes não foram perturbados durante as duas primeiras noites, mas, a partir da terceira, alto-falantes situados junto às camas emitiram sons de baixa intensidade cada vez que o cérebro dava mostras de entrar em sono profundo constatados no eletroencefalograma ligado que monitorou as ondas cerebrais.
Os sons não eram suficientemente fortes para despertar os pacientes, mas interrompiam 90% dos episódios de sono profundo desses voluntários.
Esse tipo de sono superficial com pequenos intervalos de sono profundo simulou o padrão do sono habitual encontrado nas pessoas mais velhas de 60 anos, que, no geral, dormem profundamente apenas 20 minutos por noite, enquanto que uma pessoa jovem alcança entre 80 e 100 minutos.
Depois de ter dormido noites com perturbação do sono, a sensibilidade à insulina dos voluntários diminuía 25%, o que significa que necessitavam de mais insulina para agir da mesma quantidade de glicose existente no sangue circulante.
Mas, apesar de precisar de mais insulina, a secreção da mesma não aumentou em oito dos nove voluntários e, em conseqüência, os níveis de glicose no sangue circulante desses indivíduos aumentou 23%. Isso significa que se fossem fazer exame no laboratório para saber se eram ou não diabéticos esses voluntários seriam rotulados de diabéticos, sem na realidade serem.
Será que três noites consecutivas de insônia ou três noites mal-dormidas são suficientes para que o corpo reduza drasticamente sua capacidade de produção de glicose e aumente consideravelmente o risco de diabetes? Essa constatação ainda precisa ser demonstrada.
Dado que, com o envelhecimento, se reduzem os episódios de sono profundo e os obesos também apresentam transtornos do sono, os resultados desse estudo sugerem que as estratégias para melhorar a qualidade e a quantidade do sono, pode ajudar a prevenir ou atrasar o aparecimento de diabetes do tipo 2 em populações de risco - concluíram esses autores. O que são populações de risco nesse caso? São pacientes que já tem um nível de glicose no limite do normal, ou que tem parentes de primeiro grau (pai e mãe com diabetes que obriga a tomar insulina todos os dias) e pacientes já obesos, principalmente na barriga.
Por efeito da diminuição da tolerância à glicose, os resultados de três noites mal-dormidas teoricamente equivalem a ganhar entre 8 e 13 kg de peso.
Os cientistas acreditam que, é possível que a capacidade do organismo de produzir glicose se adapte a um processo crônico de privação do sono( isto é, um estado de insônia crônica em pessoas jovens), é provável também que os padrões de sono nas pessoas mais velhas e mais obesas possa influenciar no desenvolvimento da diabetes.
Todas essas relações precisam ser mais bem pesquisadas em um número maior de pessoas.
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