Climatério
No climatério, período que antecede a menopausa, é caracterizado por diversas alterações clínicas, decorrentes da falência ovariana. Quando cessa a menstruação durante o período mínimo de 1 ano ocorre a menopausa. Dentre os sintomas mais precocemente observados, sobressaem os chamados “fogachos” ou calores, que são decorrentes de problemas vasculares que acometem cerca de 70 a 80% das mulheres. Além disso, após a menopausa, muitas mulheres passam a apresentar distúrbios do sono. Demonstrou-se, por meio de estudo epidemiológico realizado na população de São Paulo, com questionário para avaliação de distúrbios do sono, que 81,6% dos entrevistados apresentavam pelo menos uma queixa de sono, sendo que 52,1% dessas estavam relacionadas à insônia.
Sabe-se que as queixas de sono se tornam mais prevalentes com o avançar da idade, sendo 1,5 vezes mais freqüente nos indivíduos com mais de 65 anos. Em um dos maiores estudos populacionais americanos, que avaliou mais de 9.000 pacientes, observou-se que cerca de 29% dos indivíduos com mais de 65 anos tinham dificuldades relacionadas ao sono. Essas queixas foram mais prevalentes em mulheres do que nos homens. Em estudo de base populacional observou-se um aumento relevante da incidência dos distúrbios do sono já na perimenopausa ou no climatério A menopausa foi considerada fator independente para estes distúrbios após correção dos fatores como idade, renda mensal ou presença de depressão. Neste estudo, no entanto, o diagnóstico foi baseado apenas em questionário, sem confirmação laboratorial pela polissonografia.
A insônia é sintoma que pode ser definido como a dificuldade em iniciar e/ou manter o sono, presença de sono não reparador, ou seja, insuficiente para uma boa qualidade de alerta e bem-estar físico e mental durante o dia, com o conseqüente comprometimento do desempenho nas atividades diurnas.
Enquanto a ocorrência de insônia em mulheres com mais de 30 anos varia de 26 a 45%, estudos epidemiológicos mostraram aumento da sua incidência após a menopausa para cifras entre 28 e 63%.
Estudos utilizando polissonografia evidenciam que mulheres na pós-menopausa apresentam latência aumentada (leva mais tempo) para o início do sono e dificuldade para mantê-lo, tendo, portanto, menos eficiência do sono. Não está claro, porém, na literatura, se essas alterações decorrem do estado hormonal alterado nesse período ou do próprio envelhecimento. Além disso, fatores que ocorrem na pós-menopausa, como ondas de calor, vontade de urinar (nictúria) e alterações de humor (depressão, bipolaridade, etc) poderiam ter papel mais relevante nos distúrbios do sono do que o estado hormonal por si.
As que tomavam pílula anticoncepcional tiveram o sono menos agitado. Elas despertaram menos durante a noite, além de apresentarem menos ronco e menos apneia.
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