Obesidade mórbida e apneia do sono
A obesidade constitui um problema médico-social importante por sua prevalência alta e crescente e sua gravidade. Tem características epidêmicas e pode favorecer ou agravar hipertensão arterial, diabetes, artropatias degenerativas, apneia do sono, e disfunções respiratórias e cardiovasculares. A piora da qualidade de vida, a redução da expectativa de vida e a alta taxa de fracasso dos tratamentos conservadores são
fatores que reforçam a indicação de tratamento cirúrgico da obesidade mórbida. A indicação cirúrgica baseia-se na análise conjunta de múltiplos aspectos clínicos, incluindo a falha do tratamento conservador e a avaliação psicológica.
São parâmetros importantes o índice de massa corpórea acima de 40 kg/m2, ou acima de 35 kg/m2 na presença de doença agravada ou causada pela obesidade. As modalidades cirúrgicas, de acordo com seu objetivo fundamental, são: restritivas, disabsortivas e mistas. Para a indicação da cirurgia, é importante o preparo pré-e pós-operatório
adequado dos obesos com apneia obstrutiva do sono (AOS) grave. Além de cuidados especiais relativos à ventilação é recomendado que o paciente perca de 10 a 15% de seu peso antes da intervenção cirúrgica.
Redução de 10% do peso original corresponde geralmente à diminuição de cerca de 25% no índice de apneia e hipopnéia. Os efeitos sobre a AOS são tanto melhores quanto maiores forem a redução do peso e a manutenção dessa perda. Resultados de meta-análise demonstram que a perda efetiva de peso após cirurgia bariátrica resolve as co-morbidades na maioria dos pacientes , com cura ou melhora da AOS em 86,3% dos pacientes. No Brasil dá-se preferência à gastroplastia vertical com bandagem e
derivação gástrica em Y de Roux (técnica de Fobi-Capella) por conseguir perda de 40% do peso inicial, mantida a longo prazo e por não produzir alterações nutricionais e metabólicas importantes.
No Brasil, de acordo com dados do IBGE (2004), a obesidade atinge 11% da população,correspondendo a 10,5 milhões de pessoas.