Adolescente indígenas
Há hoje, no Brasil, mais de 280 mil meninas e meninos de etnias
indígenas. Alguns vivem em aldeias, outros nas cidades. Mas existe um
grande contingente populacional que vive na mata.
Fernanda de Jesus Torres psicóloga defendeu tese na Universidade de
S.Paulo analisando o sono de 21 jovens Guarani da Aldeia Boa Vista -
SP, que vivem numa floresta, sem energia elétrica. A pesquisadora
pretendia verificar se eles apresentavam um padrão semelhante ao descrito em adolescentes urbanos, ou se tal característica era menos evidente, como tem sido relatado na população rural.
No ciclo vigília/sono (CVS) constatou-se mudanças durante a adolescência.
Nos dias letivos, havia maior sonolência diurna e menor duração de sono do que nos finais de semana. Além disso, os adolescentes apresentavam atraso da fase de sono.
Acredita-se que essas mudanças resultam da interação entre
fatores biológicos e ambientais. Aplicou-se o Questionário de Hábitos
de Sono e o Questionário de Matutinidade e Vespertinidade. Os
participantes preencheram diários de sono, usaram actímetros (aparelhos
semelhantes ao eletro encefalograma para constatar distúrbios do sono)
Coletou-se a temperatura a cada 3 horas, na vigília, por 10 ou mais dias
consecutivos em 3 ocasiões com intervalos de 6 meses.
A autora comparou as etapas e analisou os resultados no cenário de outras
pesquisas realizadas com adolescentes. Foi observado um atraso da
fase do sono e da temperatura oral nos Guarani, comparado com o
descrito entre adolescentes de regiões urbanas, que resultou uma menor
duração do sono nos finais de semana do que nos demais dias. Os
resultados apontam para a importância de fatores biológicos no atraso da
fase dos ciclos vigília/sono e de temperatura na adolescência que é um
padrão universal.
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