O sonho é uma forma inconsciente do ser humano lidar com seus problemas,
expectativas e desejos. Psiquiatras da Universidade de Cornell, de New
York, fizeram uma análise da presença dos sonhos em toda a vida da
mulher, desde a adolescência até a menopausa. É interessante o que
escrevem sobre os sonhos e a gravidez. As gestantes sonham muito, o que
é um preparo natural e psicológico para a vinda do bebê.
Pode-se dizer que os sonhos de mulheres na primeira gestação estreita a passagem de ser filha para ser mãe. Por analogia, os sonhos que refletem o potencial de vida futura poderiam ser comparados ao endométrio que acolhe o óvulo fecundado. E a mulher passa da condição de ser gerada para geradora.A mulher grávida nos sonhos compartilha do mesmo ambiente da pequena vida contida em seu útero. Sem distinção: quem é a mãe, quem é o filho. É o sonho da mãe ou é o sonho do filho sonhado pela mãe. Um estado de participação mística, uma experiência de conjunção psicofísica entre a mulher grávida e seu bebê intra-útero, de proporção inigualável.
Temos também os sonhos de cuidado e alimentação de filhotes de animais, ou do seu próprio bebê ou a observação do crescimento de árvores e plantas. Ela pode sonhar com seu parto e antever os futuros acontecimentos. A mulher grávida expressa em sonhos os ciclos de florescimento e crescimento da natureza.
Maridos disputam com bebês a atenção das esposas, desde a gravidez.
Isso revela inveja do homem em relação à gravidez da mulher e inveja da
intimidade existente entre mãe e filho, na amamentação e na dependência
da criança da mãe nos primeiros meses. É uma tese defendida por muitos
psiquiatras.A sociedade solicita que as mães se mostrem sempre equilibradas e felizes, mas, na verdade, são pessoas que passam por tristezas e alegrias como todos, tendo de acomodar seu espaço entre o marido, família e as expectativas da sociedade. Resta sonhar.
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