Todos os pais sabem que seus filhos que estudam no período da manhã, no
final do semestre estão mais sonolentos para acordarem de manhã cedo.
Acredita-se que isso se deve ao esforço mental desenvolvido pelos alunos
devido aos estudos. Esse esforço é mais acentuado entre os estudantes de
medicina que alem de terem que estudar dão plantões noturnos e não
tem condições de dormirem tranqüilamente.
Médicos neurologistas do Centro do Sono do Hospital da Universidade de
Brasília analisaram a relação entre queixas de sonolência diurna
crescente e desempenho acadêmico de estudantes de medicina da
Universidade de Brasília. Uma escala de sonolência foi aplicada em 172
estudantes de medicina, no início de agosto, e no final de novembro,
respectivamente início e final do semestre letivo. Estudou-se o
desempenho acadêmico pela análise do número de notas acadêmicas altas
(valores entre 9,0 e 10,0) e médias (valores entre 5,0 a 6,9), obtidas
no final do referido semestre letivo. Os resultados revelam sonolência
diurna desde o início do semestre em 68 alunos (39,53%) e, nos 104
restantes, observou-se sonolência diurna crescente no decorrer do
semestre em 38 alunos (22%). Observou-se também que os estudantes mais
sonolentos apresentaram pior desempenho acadêmico.
A prevalência da sonolência, identificada por esse teste, na população,
em geral, foi de 18,9% (variando de 15,1% a 22,7%). Não houve uma
associação significativa entre a sonolência obtida por esse teste, e o
uso de hipnóticos, nem com a insônia, nem como a obesidade, sexo, idade
escolaridade, estado civil, profissão e estado sócio-econômico. Quando
analisado separadamente cada sexo, foi encontrado que os homens tiveram
uma associação significativa com a sonolência diurna e com a insônia
noturna.
|