Sonolência no transito
A intensidade da violência no trânsito brasileiro é causa de constante preocupação e de campanhas preventivas.. No entanto, a exemplo do que ocorre em outros países, pouca atenção tem sido dada ao problema da sonolência excessiva na direção enquanto causa importante de acidentes, especialmente entre motoristas de caminhões e de transportes públicos.
As explicações mais comuns acerca dos acidentes automobilísticos versam sobre as más condições das estradas, a inadequada manutenção dos automóveis, ônibus e caminhões e sobre a "falha humana", que muitas vezes é utilizada como sinônimo de imprudência e/ou abuso de álcool, mais raramente suspeita-se da possibilidade de que o causador do acidente tenha dormido ao volante.
A sonolência diurna excessiva, assim como o excesso de velocidade, o uso de álcool, a imprudência e o mau tempo tanto podem contribuir como constituir a causa de muitos acidentes automobilísticos. Nos últimos anos a possibilidade de que a sonolência excessiva tenha relação com os acidentes tem sido considerada e a literatura médica tem divulgado resultados de investigações a este respeito, embora, tanto os resultados obtidos como a metodologia empregada nestes estudos ainda não permitam conclusões definitivas.
Uma das principais razões para tal limitação é o fato de que, mesmo do ponto de vista legal, nem todos os laudos de acidentes incluem a palavra sonolência como causa de acidente. Além disso, a caracterização das evidências de que a sonolência tenha provocado o acidente é na maioria das vezes difícil de aferir, uma vez que a sonolência não pode ser quantificada com um exame laboratorial rápido como o que se aplica quando existe a suspeita de abuso de álcool.
Até o momento, a possibilidade de que a sonolência excessiva possa ser causadora do acidente é considerada na presença das seguintes situações: ausência de marcas de pneus na área do acidente; colisões contra obstáculos fixos; acidentes com um único veículo ou o relato do próprio motorista de ter adormecido ao volante Estudos epidemiológicos realizados pelo grupo de New York As estatísticas no Brasil envolvendo sonolência excessiva e acidentes automobilísticos são ainda pouco divulgadas. Entrevistando 1.000 motoristas (33% eram caminhoneiros), com o objetivo de avaliar a qualidade e a quantidade de sono. Concluiu -se que, embora a maioria dos motoristas tenha afirmado que a sua qualidade do sono era boa, foram encontrados indicadores de privação de sono. Nessa pesquisa ainda, 20% dos entrevistados apontaram a fadiga e a sonolência como razões para acidentes automobilísticos prévios.
A sonolência diurna excessiva (SDE) é uma queixa comum, com prevalência estimada em 0,5-14%. A sua importância reside no fato de que ela pode trazer conseqüências importantes para o indivíduo, tanto no que diz respeito ao prejuízo na sua qualidade de vida como no desempenho das suas atividades profissionais ou na performance no trânsito.
A literatura médica tem demonstrado que as pessoas que não dormem bem, tanto em termos quantitativos como qualitativos, apresentam com freqüência resposta mais lenta aos estímulos externos e graus variados de dificuldade de concentração.
As repercussões no desempenho cognitivo observadas nesses pacientes podem ser resultantes da hipoxemia (falta de ar)que ocorre durante o sono, das alterações do fluxo sanguíneo cerebral durante o período de vigília ou da SDE. Não obstante a causa, esse déficit cognitivo pode comprometer gravemente a habilidade do paciente para desempenhar uma série de atividades, dentre elas a capacidade de dirigir de maneira segura, além de alterar a sua percepção crítica sobre a habilidade de dirigir naquele momento.
Inúmeras são as causas de SDE e sabidamente ela é afetada por hábitos inadequados de sono, incluindo sono em quantidade insuficiente, pela idade, pelo uso de medicamentos e drogas (álcool e outras). Dentre as causas, a síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS) e a narcolepsia( veja esses temas) são as mais freqüentemente encontradas nos pacientes com sonolência moderada e grave.
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