Dia e noite na UTI
Médicos e enfermeiros estão habituados ao desarranjo que uma temporada, ainda que curta, nos centros de terapia intensiva provoca na vida dos pacientes. Durante a recuperação de uma infecção aguda, como por exemplo uma pneumonia ou apendicite aguda ou abscessos ou de uma cirurgia, dorme-se além do normal durante o dia ou se tem insônia à noite e a fome costuma surgir em horários diferentes dos habituais. Isso significa que a infecção ou a cirurgia mudaram dois relógios biológicos, o do sono e o da fome.
Não é só. Também a temperatura do corpo,que muda durante o dia e a noite, os batimentos cardíacos e a produção de hormônios passam a oscilar em um ritmo diferente do ciclo de 24 horas que regula a vida dos seres humanos e de diversos outros animais, como se o relógio interno, chamado de relógio biológico parasse de funcionar de maneira adequada.
Até recentemente se acreditava que essa dessincronização entre o
funcionamento do organismo e o mundo externo fosse conseqüência da
iluminação artificial dos centros de tratamento intensivo( UTI do hospital) e, por essa razão, já se propôs a instalação de janelas nessas salas para que os pacientes não pudessem perceber quando é dia ou noite. Mas essa estratégia se mostrou pouco eficaz e agora já é possível entender o porquê.
A origem desse desequilíbrio parece ser a própria inflamação provocada
por um agente infeccioso ou pelas lesões de uma cirurgia, que interrompe
temporariamente a produção do hormônio melatonina. Produzido pela
glândula pineal também chamada de hipofise,que esta situada na base do cérebro A melatonina é um hormônio( veja artigo anterior dessa serie) é uma espécie de senhor do tempo molecular, que ajusta os ponteiros do relógio biológico com os períodos de claro e escuro, indicando ao organismo se é dia ou noite, inverno ou verão.
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